Arquitetura Sustentável

O tema sustentabilidade tem cada vez mais estado presente em nosso dia a dia, e com a Construção Civil e a Arquitetura não tem sido diferente.

Mas antes de mais nada, o que é afinal sustentabilidade?

Sustentabilidade está diretamente relacionado com o impacto de nossas ações e decisões em relação ao futuro. “Sustentabilidade é um princípio segundo o qual o uso dos recursos materiais para a satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras”. Ou seja, cada decisão que tomamos em nossas vidas pessoais e profissionais terão um impacto positivo ou negativo nas gerações futuras. E esta consciência de que não podemos impactar negativamente as futuras gerações está diretamente relacionada à sustentabilidade.

Um Projeto de Arquitetura Sustentável deve obrigatoriamente ser:

  • Ecologicamente Correto
  • Economicamente Viável
  • Culturalmente Aceito
  • Socialmente Justo

Isto tudo alinhado com o desenvolvimento de uma consciência ambiental.

No caso da Construção Civil e da Arquitetura Sustentável, tudo nasce nos projetos, ou seja, na concepção dos planos que irão nortear esta construção e como ela será utilizada ao longo de toda a sua vida útil. Os projetos de Arquitetura Sustentável devem, antes de mais nada, priorizar:

  • Uma correta utilização de iluminação natural, melhorando assim o uso destes espaços com menor utilização de luz artificial;
  • A ventilação natural dos ambientes, sempre em consonância com o uso destes espaços;
  • Recuos e afastamento entre edificações adequados, para o caso de edificações verticais ou até mesmo entre edificações vizinhas de menor porte;
  • Utilização de materiais locais, ou seja, da própria região, sem que haja a necessidade de grandes operações de logística e transporte;
  • Utilização de mão de obra local, permitindo a qualificação deste recurso local, além do caráter social que ela propicia;
  • Eficiência energética, tendo-se o cuidado na especificação de tecnologias que permitam economia de energia, como utilização de lâmpadas LED, por exemplo. No caso de edificações verticais, a especificação de elevadores de última geração pode ser um exemplo; e em condomínios, a utilização de medição individual de água, gás e energia, para cada morador, algo que sempre estimula os cuidados e a consciência de consumo.
  • Utilização de materiais com longa vida útil e com baixo custo de manutenções, além de materiais sempre com origem certificada, ou seja, que em seu processo de fabricação ou beneficiamento não impactaram negativamente no meio ambiente.
  • Redução na impermeabilização do solo, ou seja, utilização de grandes áreas de jardins, preservação da vegetação local, além da utilização de coberturas verdes. Tudo isso colabora diretamente no microclima destes empreendimentos e destas construções.

E no caso de Bairros Planejados, além de todos os temas anteriores, os projetos devem ter em mente o impacto destes empreendimentos no seu entorno imediato e na cidade com um todo, seja o impacto ambiental como o social. E nesse sentido a preocupação com a mobilidade urbana, ou seja, como as pessoas e moradores destes locais irão chegar e sair destes novos espaços, também ganha grande importância.

A sinergia de usos, ou seja, permitir que nestes novos espaços as pessoas possam, além de morar, também trabalhar e desfrutar de áreas de lazer, irá permitir que ali se criem ambientes autônomos, ou seja, que não haja a necessidade tão grande do ir e vir, melhorando a qualidade de vida local e impactando menos na mobilidade urbana.

Outro fator que cada vez mais está presente nestas construções sustentáveis são as bacias de amortecimento, que basicamente são dispositivos que retardam o impacto das chuvas daquele empreendimento na cidade como um todo, ou seja, contribuindo para diminuição da incidência de alagamentos nas cidades. Estes dispositivos por si só não resolvem este grande problema que aflige nossas cidades, mas já colaboram em um caminho com impactos positivos a curto prazo.

Mas a sustentabilidade não está apenas nos projetos, ela também está presente na fase de obras de qualquer construção, seja de uma residência ou até mesmo de uma grande edificação.

E uma destas preocupações durante qualquer obra é o consumo de energia elétrica e de água que esta obra irá demandar, sempre buscando a utilização de sistemas e tecnologias que necessitem de menos energia elétrica e o menor consumo de água inclusive durante as etapas de obras.

Além disso, a correta destinação dos resíduos da construção civil, ou seja, tudo aquilo que sobra das construções que deverá ser descartado, inclusive todos os efluentes líquidos como esgoto, por exemplo. Estes resíduos devem ter uma destinação em locais ambientalmente licenciados e aptos a receber toda a gama de materiais gerados por uma construção.

Como o tema é amplo e complexo, surgiram organizações que buscam certificar construções sustentáveis, de acordo com o grau que cada empreendimento ou projeto buscaram atingir. Organizações como a “LEED” e o “Green Building Council” são algumas destas.

Enfim, a Arquitetura Sustentável não está limitada apenas à utilização de materiais renováveis e ambientalmente corretos, mas na consciência dos impactos destes projetos como um todo, desde sua concepção, sua construção e sua vida útil, e quais serão estes impactos nas gerações futuras e em sua comunidade.